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El frente

janeiro 31, 2015

Taipas

janeiro 21, 2015

paura, medo, calafrio, quentinho, morno, aconchego.

Escutando com o todo dos sentidos

janeiro 18, 2015

Quando a estaca bate, todas as membranas do nosso sistema aural vibram. De tal forma que, mesmo minúsculas (e com certeza por conta disso), são capazes de fazer com que qualquer movimento estacione, a não ser aquele o qual não estamos condicionados a movimentar, ou aquele tão repetido e condicional para a vida que de tanto ser feito se torna automático.

No caso do “Som ao redor” os ruídos de estacas e serras e rangidos das obras dos arranha céus contemporâneos da nossa existência em sociedade, estão sempre presentes. A cada sequência, pelo que me lembro, da primeira e única vez que o vi completo – no cine Glauber Rocha da Escuela Nacional de Cine e Television de San Antonio de Los Baños – podia sentir a presença daqueles ruídos. Pode que seja pelo fato de estar treinada para perceber o som, devido ser a únicA estudante de som da minha geração na escola, ou pelo forte apelo do título. Fato é que estava lá e de algum modo ou de outro me levava de volta a algum lugar comum, conhecido através do barulho das estacas e serras e das pessoas que de tanto escuta-los acabavam por integrar-se a geografia e paisagem, tanto em forma quanto em linguagem.

Me levava e me leva de passeio pela minha comunidade, no modo como se organiza, e ignora, e ameaça. Senti com esse filme e outras obras brasileiras, na escola e no festival de cine de Havana, que o ato de vê-lo tinha totalmente outro significado para mim: brasileira, moradora desde sempre de uma grande cidade, oriunda de famílias campesinas, como tantas outras. Me identificava totalmente com aqueles elementos e contexto. Como acostumar-se com aqueles barulhos e pensar de maneira coerente? Como assistir a esse filme e ser transportada para algo familiar e em certo nível até aconchegante, vivendo em uma finca no meio de outras fincas entre a cidade de San Antonio e La Habana, ambas bucólicas como pueblo e como capital cultural? Penso que é pela arte tudo isso. Até hoje me lembro e relembro de elementos do filme que me fazem refletir e rir muito de nós mesmos e nossa graciosa (no espanhol mesmo) existência.

Não houve debate sobre esse filme ao final da sessão. Como não houve ao final de nenhuma das sessões nos dois anos em que estive na Escuelita. A não ser aquelas em que alguém da equipe estava presente, ou que era parte de alguma palestra. Penso na escuela e em como esse filme é o tipo de filme que eu acredito e em mim antes de entrar de fato no mundo do cinema. Acreditava realmente que onde quer que uma pessoa estivesse estudando cinema, e gostasse de cinema, tudo estaria bem. Nem pensei sobre as possibiidades dos métodos antiquados de ensino, os quais sempre tive problemas de adaptação. Imersa no meu mundo barulhento das estacas vivia contente com minha própria bolha imobiliária de amigos e trabalhos, onde o que não me satisfazia rapidamente era eliminado da minha rotina. Exatamente como uma grande Odebrecht atuante em um microcosmo.

Mudança

dezembro 1, 2014

Não tem preguiça que me faça parar.

Bora pras cabeça, cortei a cebola, parti o dedo do meio, passei copaíba e o taio fechou, a cicatriz ficou, mas como é no dedo, daqui a pouco some.

Escrevi o texto sobre a história de Cuba. Tá lá no FB, publicarei aqui também. Não é nem para nada, não. Só para o rezistro, só para eu não esquecer.

Legal isso de escrever num espaço cloud, que espero que não feche, que me deixe acessar essas Sáluas de esses e aqueles tempos. Nem faço muita idéia do que tava falando (principalmente no último post), mas gosto. Me assusto, me desconheço e reconheço no oceano de zicas, tretas e correrias pelos quais já passei.

Escrevi o texto sobre a história de Cuba. Tá lá no meu email, mais um email sobre como é viajar pra ilha comunista em 2014, como é se aventurar pra algo tão próximo e tão retrógrado, tão naiff, tão puro, tão duro e tão nordeste do Brasil. Esse não publico não. Se tu tiver afim de ir pra lá, dê um toque.

Vou mudar a cara dissaqui, deixa só eu estar numa internet menos caribenha. Por enquanto, vou juntando os pedaços meus espalhados, jogando um manjericão, um fiozim de azeite e me amostrando despacito.

Bora ver no que dá.

Oh Corky…please…

maio 31, 2012

Apocalipse, é a Melancolia do Trier chegando, não é aquarius, é 2012. Agora eu acredito, mesmo, de verdade. Porque assim, assumo meu comportamento de peito aberto, não consigo ser melhor, nem pior ou diferente, de isso aí que eu sou. Chega a ser inocente, não inocente no sentido puro, mas no sentido de simplesmente não conseguir ser diferente. Aí se vão mesmo: contratos e bens e gatos. Fica eu, sempre fica.

Tou daquele jeito, absurdada com tudo que acontece, com a maravilha de finalmente fazer parte de uma classe profissional que engana profissionalmente a sociedade. Não sem antes sermos muito enganados pelo discurso de “equipe” tão difundido e bem aceito e quase sem crise do norte da América. Aí tem as eleições, o Kassab, o partido dele, o Serra, o partido dele, o Lula, e o partido dele. São pessoas puxando pessoas, ok. Qual o mal de um trenzinho? Acontece que o maquinista nunca puxa os antecedentes criminais dos passageiros, e no caso de maquinista nem carteira ter? Taí o bondinho do RJ que não me deixa mentir. Tem isso.

Morar no caos é isso. O país tá menos caos. Minha cidade está mais, está um caldeirão da classe média, como nunca antes na história desse país. A vocação de São Paulo sempre esteve clara, depois de oito anos de graduação ferrenha (DPS e tal), tá foda meuzamigos, só apelando pra entidades da umbanda mesmo.

Fecha trampo, fecha coração, abre coração, abre trampo, e os dias vão passando. As CPIs só aumentam, ninguém fala nada, ninguém ouve nada. A produção de notícias, no entanto, só aumenta. Haja criatividade e imaginação, Dias Gomes would be proud.
Vou aproveitar o embalo da turnê de ode ao ócio que venho praticando desdo ano passado e abaixar a ansiedade lá pro…pé. Capoeira eu fosse realmente, estaria bem mais malemolente, ou não. É, não, capoeira é só “coração”.

inércia

novembro 20, 2011
tags: , ,

resignacao, defenestracao, indignacao, finalizacao, paralisacao. Umr umr (tá tudo certo).

 

 

Será que vai?

agosto 21, 2011

Olhei foi muito pra isso aqui antes de derrubar a primeira linha que acaba…agora.
Pois então, estou de férias no trampo-estágio, que espero deeply at heart ser o último estágio da minha pequena e intensa vida de trampos. Como resolução de gente gorda (sim) em fim de ano, fazer exercícios, aproveitar mais o tempo e dinheiro de gente grande mensalmente estão bem na minha lista de half free time, half TCC. Este, famigerado, que enrolei, mas num SUPER turning point virou tema do texto de hoje (quatro meses depois).

Meu querido TCC é apenas algo que pesquiso desde 2009, quando minha entrevistada instigou a questão: Então o Bixiga instead Tarantella é virado no batuque, quebrada, umbigada, remelexo e samba no pé? Sim, meus e minhas caras. A maravilha da história dos winners descartou a muito mais maravilhosa história dos negros que tinham e ainda tem uma pequena comunidade no coração da Paulicéia. Enfim, tudo muito bom, tudo muito bem, para mais informações leiam o rascunho que comecei no: http://storify.com/saluapo/morro-do-quilombo

Este trabalho é algo pessoal até o último ponto. Vírgula, traço – e parênteses (que quase não uso). Mais que isso, não me foi pautado, o tempo é mais do que meu, a apuração é livre. Só não é lindo por uma razão…é um TCC. Orientado como todos os outros trabalhos em um bolo de 40 cabeças loucas para serem formadas.

Isso infelizmente não me basta, a pouca pessoalidade, a pitada de tato, a lasquinha de pesquisa, as gotinhas de preocupação com a orientação, consegue ser pior que a FALTA COMPLETA de tudo isso. A cereja do bolo, e principal desculpa para estas reuniões de AA fora de hora, a linda ABNT, não me enquadra e é aí que o bolo desanda inteiro.

Juro que tentei quatro, cinco anos (um a mais em um curso super útil na Puc, só que ao contrário)esse papinho furado de trabalho, trabalho em grupo, trabalho para um público masculino, feminino, de minhocas e tal. Essas atividades que nunca estimularam pensamentos e reflexões unless o typar de dedos no google. Esses centros de trabalhadores para o mercado, cujos boletos valem menos que um salário -tks God – mais que funcionam. Esses trabalhinhos são os mesmos publicados diariamente nos veículos de massa de hoje, amanhã e depois.

Mas não, nunca foi o que eu quis, eu nunca pedi por isso, eu estou lá e não estou. Em tudo para dizer a verdade, eu estou tirando o diploma, eu estou trabalhando, até aí SER e QUERER esse tipo de comunicação são dois abismos para atravessar descalço e com cadeirinha de segurança.

Entendo a internet, a rapidez, a informação. Não engulo o lead, a preguiça, os textos releases e a ABNT. “Ah, mas é um trabalho acadêmico”. Sim, a monografia tem disso mesmo, mas a linguagem tem de ser própria. “Ah, mas não é jornalismo”. Defina jornalismo. Já me falaram que era só escrever fofoca (isso é só um segmento).

Mas cara, é agosto, estou preparada. Essa zica é pra comer com farinha se botar o que passei na balança. Estou pronta para escrever o modelinho, sentar na cadeirinha, ouvir abobrinha de mestres e magos da comunicação e enfim poder trabalhar em algo bacana ou não, fazer frilas legais ou não e levar calote feliz da vida – that´s for sure.